30 de julho de 2015

10 passos além de Machu Picchu

Quando pensamos em Peru, a primeira atração que nos vem à cabeça é Machu Picchu. Todos querem conhecer, pelo menos um pouco, a civilização dos incas que instigam tanto a nossa curiosidade, e, nem sequer pensamos, em incluir outros sítios – arqueológicos ou não – nessa viagem. No entanto, alcançar Machu Picchu não é tão fácil assim e, mesmo sem querer, temos que primeiro aterrissar na capital Lima, depois atingir a histórica Cusco (de avião também) para, e finalmente, chegarmos ao destino final (que de final não tem nada). Infelizmente, esses outros lugares são negligenciados em virtude da ansiedade de chegarmos logo às ruínas pré-colombianas e deixamos de conhecê-los, transformando-os apenas em paradas estratégicas ou de aclimatação.

parapente

Lima (a palavra vem de Rimac, do vale do rio Rimac – pronúncia daqui, pronúncia de lá, cai letra aqui, muda a letra lá, ficou Lima) é a capital do Peru desde a sua Independência e a maior cidade do país. Com umidade altíssima e precipitação baixíssima, a cidade fica quase sempre coberta por um fog nada londrino, mas que não tira sua cor, já que é repleta de jardins floridos e super bem cuidados (bem espantoso para uma capital latino-americana). Só no bairro limenho de Miraflores, existem três ótimas atrações: (1) o shopping Larcomar  (não tenha preconceito porque é um shopping, vc não precisa comprar nada! eu, pelo menos, não comprei) permite que vc vá a um dos seus restaurantes com vista e fique observando os voos de parapentes sobre o Pacífico que tiram “finas” dos rochedos e do shopping também (Ufa! Que susto!) ou fique só nas sacadas vendo o colorido das asas. É um shopping totalmente aberto com vista para o mar, bem diferente dos que estamos acostumados. Além dessa meca do consumo, vc ainda pode saborear os pratos incríveis de um dos maiores chefs da América, Gastón Acurio, no (2) Astrid y Gastón, no mesmo bairro, com uma culinária riquíssima, que vai muito além dos ceviches conhecidos por nós. E, por último, e não menos importante (na verdade, mais), para não esquecermos que estamos atrás das raízes da civilização, há a imbatível (3) Huaca Pucllana, sobre a qual ninguém fala, ou muito pouco… No tour pela cidade que estava incluso no nosso pacote, só demos uma rápida olhadela pelo carro. Tivemos que voltar outro dia (naquele pedaço de dia que sobrou no retorno de Cusco, antes de embarcarmos para São Paulo) para visitá-la. Mas demos a maior sorte porque, apesar do restaurante já ter fechado e estarmos mortos de fome (dá para fazer uma refeição, contemplando as ruínas…), chegamos na hora que estava saindo o último tour do dia e pudemos fazer uma visita guiada. O local é surpreendente! Apesar de ter pertencido aos povos pré-incaicos ( povos Lima  200 – 700 dC e Wari 700 – 1000 dc), só começou a ser escavado em 1981 e acredita-se que os trabalhos devam durar aos menos mais 30 anos. É aterrorizante saber que na déc. de 70 era usada como rampa de motocross, e ver que uma das ruas pavimentadas iria simplesmente cortar o templo ao meio, mas foi (felizmente) interrompida. Os estudos indicam que era um templo reservado para a elite, sacerdotes e nobres, onde se realizavam sacrifícios de mulheres (seres superiores, puros, por isso eram sacrificadas, assim como as crianças, etc, etc). Além do tour guiado no sítio, há representações da época e um museu com peças encontradas durante as escavações. É imperdível!

Huaca Pucllana

Mais tempo ainda precisa Cusco! “Naquele pacote”, te dão um dia para aclimatação (essencial!), e colocam no mesmo dia o tour pelos templos próximos à cidade, pelo Convento e pela Catedral, e ainda deixam o Mercado San Pedro de lado! Como se vc conseguisse desfrutar do passeio (que é deslumbrante) sofrendo com o soroche? Vc não sabe se o chá de coca que te dão está te causando alucinações ou vc está mesmo vendo Jesus Cristo vestido de roupa peruana! Uma pena, precisaria de um dia realmente para se aclimatar, de preferência na suíte presidencial do Hotel Monastério (faz parte da rede Orient Express e foi instalado em 1995 no antigo Monastério San Antonio Abad, de 1592, que, por sua vez, foi construído sobre ruínas de um palácio inca) e, pelo menos, de mais dois dias para os passeios. Os templos, (4) Tambomachay, (5) Pukapukara, (6) Q´Engo e (7) Saqsaywaman são lindos, com uma estrutura arquitetônica – e funcional – bem diferente da de Machu Picchu. Vale muito ver aquelas pedras gigantes (de 8 metros de altura e até 350 toneladas!) perfeitamente encaixadas umas nas outras! Uau! O (8) Convento de Santo Domingo del Cusco (Qorikancha) e (9) La Catedral são fundamentais para se compreender a união (ou sobreposição) de culturas. A versão peruana do quadro A Santa Ceia em que é servido um cui (uma espécie de porquinho da Índia, uma iguaria muito comum por lá) é impagável! O (10) Mercado San Pedro (onde eu fui correndo, naquele comecinho de dia, antes de voltar para Lima, enquanto meu marido estava morrendo no hotel, depois de ter comido um boi inteiro – e uma alpaca também  – isso porque era pra fazer refeições leves para não sofrer com o mal de altitude, etc, etc) é uma atração à parte. Não havia nenhum turista quando estive lá, o que demonstra (e não só isso) a autenticidade do lugar. Tem uma seção meio estranha de bichos mortos lá no fundo – que, na minha fase vegetariana, estou evitando – mas tem uma seção incrível de batatas (amo!), nunca vi de tantas variedades, e de milhos também – nossa! quantas cores! são lindos de ver e deliciosos de comer – além de muitas barracas de frutas que fazem sucos na hora e outra seção de fast food (acho que de canja, tinha umas galinhas penduradas…)

La Catedral

Bom, fiquei com gostinho de quero mais…foi só um aperitivo peruano, preciso ver tudo isso de novo com mais calma, e ainda fazer a trilha pra Machu Picchu, o sobrevoo de Nazca, ir para o Lago Titicaca, conhecer Puno, Arequipa…. Nossa! Vou arrumar a mala!