22 de agosto de 2016

“A gente não quer só comida A gente quer bebida Diversão, balé”

Se alguém te olhar com cara de desdém quando vc falar que vai a Milão e te disser que lá não tem nada além da igreja, ignore, é pura inveja. A cidade é muito mais do que o Duomo, mas, mesmo se fosse só ele, a viagem já valeria a pena. O Duomo, situado na principal praça da cidade, é uma catedral gótica gigantesca (a 3ª maior da Europa, só perdendo para a Basílica de São Pedro e para a Catedral de Sevilha). Tem quase 12.000 m² (157 m de comprimento e 109 m de largura), 5 naves (1 central e 2 em cada lateral) com 24 m de altura, 52 pilares internos que dividem as naves iluminadas por vitrais (retirados durante a Segunda Guerra e substituídos por pedaços de madeira), 135 agulhas com 45 m de altura, tendo La Madonnina – uma estátua de bronze folheada a ouro de Nossa Senhora – na agulha mais alta, rodeada por 3.400 estátuas no telhado – onde vc pode subir de escada ou elevador – e numerosos gárgulas. A construção, que durou 500 anos, teve seu término em 1813. Toda em mármore branco-rosa de Candoglia (no Lago Maggiore), conta com suas placas de mármore fabricadas, para manutenção e restauração, pela Veneranda Fabbrica del Duomo di Milano, que pertence à catedral (o Duomo de Milão é a única igreja a possuir sua própria marmoraria). No seu interior, chamam a atenção um calendário solar (uma linha de cobre corta a catedral da direita à esquerda, decorada com os signos do zodíaco, tendo um deles iluminado pela luz do sol ao meio-dia que entra por um minúsculo furo no lado direito do teto, marcando o período do ano) e uma estátua de San Bartolomeo que carrega a própria pele.

Duomo Milão

Cansou do Duomo? Atravesse a Galleria Vitorio Emanuele II e chegue à Praça alla Scala e encontre o teatro de mesmo nome. Uma discreta construção neoclássica, inaugurada em 1788, revela todo seu esplendor no suntuoso interior dourado e vermelho, com um enorme lustre de murano de 400 lâmpadas. Em formato de ferradura, tem o maior palco da Europa e acústica perfeita, sendo uma das casas de ópera de maior prestígio do mundo. Recebeu os maiores nomes da música, como Verdi, Toscanini, Puccini, Maria Callas, Luciano Pavarotti, Plácido Domingos, entre outros. Foi quase totalmente destruído nos bombardeios de 1943 e em 3 anos já estava totalmente reconstruído. Vc vai perder uma ópera num local tão icônico quanto este? Eu não perdi. Fui assistir à opera Rigoletto de Giuseppe Verdi e me encantar com todo esse espetáculo que ainda teve um bônus – um bis histórico (é raríssimo isso acontecer) do barítono Leo Nucci, que representava o próprio Rigoletto, após o segundo ato. Uma imagem para toda a vida!

Scala

Quer um pouco mais de Milão? Então, não perca o Castelo Sforzesco, uma construção renascentista erguida por Francesco Scorza, então governador da cidade. Abriga os Musei Civic, um complexo de coleções e exposições, tendo como ponto alto – não, altíssimo! – a Pietà Rondanini de Michelangelo. O desejo do mestre era esculpir uma Pietà para ornar seu túmulo. Sua primeira versão foi executada entre os anos 1552 e 1553, mas reformulada entre 1555 e 1564. Foi a última obra do grande artista, que nela trabalhou até seus últimos dias. Encontrada em seu estúdio após a sua morte, foi comprada pelo marquês Rondanini em 1744 (que lhe emprestou o nome), e, em 1952, adquirida pela Comuna di Milano, quando passou a fazer parte das obras do Castelo Sforzesco.  É uma obra de intensa beleza e delicadeza que muito me comoveu.

Pietà Rondanini

E Milão, sendo o centro financeiro e econômico da Itália, ainda oferece muito mais…