13 de Março de 2016

Algumas peculiaridades napolitanas…

Chegamos à Itália por Napoli (via Madrid), já que a ideia era ir de sul a norte e retornar por Milão (“ideia” que sofreu uma pequena alteração, mas foi quase isso). No aeroporto, pegamos um táxi para o hotel. Como eu não sabia como iria me sair com o meu recém adquirido italiano, achei melhor mostrar ao motorista o e-mail de confirmação da reserva, no qual constava o nome e o endereço em letras garrafais. Ele discutiu algumas coisas com outro homem no ponto de táxi – sei lá se em italiano ou napolitano, só sei que não entendi um caralho – e fomos. De acordo com as minhas pesquisas, o hotel era bem cotado (logo, conhecido) e ficava numa localização central, então não me preocupei. Num dado momento no caminho, ele pediu informações a um guarda de trânsito, porque havia algumas ruas interditadas. Andou mais um pouco ali, virou aqui, e parou. Disse que o hotel ficava logo ali à esquerda, era só ir andando… Achei que o hotel ficasse numa daquelas ruinhas históricas fechadas para o trânsito. Não, não era, era só contramão mesmo. Provavelmente, ele teria que dar uma grande volta para nos deixar na frente – ou melhor, para sair de lá – e achou por bem nos deixar na esquina. Qual o problema, afinal de contas só estávamos com malas!!! (Mas essa parece ser uma prática bastante comum em Napoli, pois quando voltamos do passeio do Vesúvio – aquele fatídico – o motorista nos deixou também na esquina – não aquela, outra, porque, provavelmente ele ía em direção oposta à do outro taxista. Ah, mas isso aconteceu depois de ele ter nos deixado na porta do hotel – errado!)

Hotel Piazza Bellini

Quando chegamos ao hotel – no certo, claro – achamos tudo bonitinho, uma gracinha. Era um hotel bem simpático, tinha um jardinzinho, uma fonte, uma coisa bem pitoresca mesmo. O quarto era bastante grande, considerando os padrões europeus de hospedagem e, como é até comum, havia um souvenir de boas-vindas: um pacote de macarrão. Sim, a vera pasta italiana. Mas como eu ia fazer para carregar durante um mês de viagem aquela iguaria gastronômica e trazê-la para minha humilde residência e oferecê-la a meus convivas num agradável almoço de domingo? Era aquele tipo de massa curta desenhadinha, coloridinha, lindinha. Ela iria virar farinha, ou melhor, retornar à forma original. Então, uma gracinha, muito bonitinho, mas lá ele ficou. Talvez seja uma tática do hotel que sabe que todo mundo vai achar super simpático, mas por impossibilidade ninguém vai levar embora, logo eles não gastam nada com o brinde. Gênio!

Hotel Piazza Bellini

Outro aspecto bastante particular em Napoli é o trânsito.  Primeiro, parece que você está voltando à década de 80 em São Paulo. A gente acha que nosso trânsito é barulhento, mas se esquece de que hoje, depois da proibição do uso indevido de buzinas, é muitíssimo mais silencioso. A gente só percebe quando vai a uma cidade – como Napoli – onde a buzina rola solta. Também ninguém usa cinto, as pessoas dirigem com o braço pra fora, andam de moto sem capacete e… não param para os pedestres atravessarem. Vc tem que se jogar, o motorista dá uma reduzidinha pra você atravessar e logo acelera; se você ficar na guia esperando o carro parar para atravessar, esqueça! não vai sair do lugar. Ah! e também não tem muitos semáforos para pedestre não, mas também não vi ninguém ser atropelado…

Esse comportamento qualquer nota do napolitano pode aparecer também nas notas – com o perdão do trocadilho – de dinheiro. Mas de um dinheiro que vale muito mais! Meu marido foi fazer uma via sacra pelos bares napolitanos e provar todos os tipos de vinho da região. Não  deu outra, voltou com uma nota falsa de 50 euros – 50! Não faça a conta porque dói muito mais. E deve ser uma falsificação bem crassa, uma taxista só de pegar já recusou – ele voltou com a nota queimando na carteira.

Quantas vezes eu voltaria a Napoli? Muitas, muitas, tenho tanto a descobrir…