23 de abril de 2018

Cartagena: o Caribe que cabe no bolso

Cartagena normalmente nos é vendida como uma belíssima cidade histórica colonial – justíssimo! – mas pouco se fala a respeito de suas praias, talvez porque a ilha de San Andres –  na Colômbia também – ganhe em transparência de águas, mas acredito que tenha aí uma certa dose de elitismo, já que outras praias do Caribe – para além da Colômbia inclusive – são mais caras e exclusivas. Tanto é que muita gente vai a Cartagena e nem sequer se aventura a pôr o pé na areia, o que é uma pena.

De Cartagena, vc pode contratar passeios que saem todas as manhãs do píer para inúmeras ilhas particulares da região que são verdadeiros paraísos. Como fomos na época de Ano Novo, quando a cidade está bastante cheia – e o resto do mundo também – já contratei os passeios pela internet na agência Juan Ballen – deu tudo certíssimo – antes de sair do Brasil. O esquema é sempre o mesmo, te pegam no hotel ou vc vai direto ao píer, parte pra ilha de barco – rápido, rapidíssimo – e depois de pouco mais de uma hora vc chega a sua ilha escolhida. Lá vc elege o seu lugar ao sol – ou à sombra – pra curtir o dia; tem serviço de praia, dá pra fazer mergulho, passeio pro Aquário (não fui por questões ideológicas), almoço incluído – deliciosos peixe, arroz de coco e patacones – e volta lá pelas 16h. Tem todo tipo de praia, com areia, sem areia, água azul, água verde, ilha menor, maior, mais gente, menos gente. Nós fomos pra Isla del Pirata, sem faixa de areia e água verdíssima, sombrinha de árvore, cadeiras pra esturricar no sol, etc; e também pra Gente de Mar, com faixa de areia, espreguiçadeiras na sombra, ou no sol, fizemos snorkel – que foi super legal – serviço de praia, etc. Ambas fazem parte das Islas del Rosário, que é um arquipélago com uma caralhada de ilhas, não tem como não encontrar a sua!

Mas a cereja do bolo é a Playa Blanca. “Ai, mas é uma praia urbana, lotada, cheia de gente, ambulantes chatos, blá, blá, blá”. Mas é linda! Um azul translúcido indescritível. Gostei tanto que fui duas vezes. Dá pra chegar lá de ônibus, táxi ou barco. Na primeira, fomos de ônibus com a agência – bem quente! – e, na segunda, de táxi – o assédio é bem grande no estacionamento! O segredo é chegar à praia e caminhar o máximo possível pro lado direito, afastando-se do estacionamento, da aglomeração de pessoas, dos restaurantes mais populares e concorridos, que são os que servem o almoço incluído no passeio – não contrate o almoço pra ficar livre pra escolher onde e o que comer. Eleja um dos bares/restaurantes tranquilos do lado direito e se vc consumir – e vc vai – eles não te cobrarão as cadeiras. E os vendedores? Bom, somos brasileiros, estamos acostumados com isso. Eu, com essa cara de gringa, sofro horrores no Rio, no Nordeste. É só dizer não e agradecer, não precisa chutar, xingar, se fingir de morto, nada, normal, dá tudo certo. Quanto mais distante da aglomeração, menos pessoas, menos vendedores, menos vezes pra dizer não. Mas isso não quer dizer que passei ilesa, não. Quando fomos de táxi, fomos muito assediados no estacionamento e acabamos “caindo” na conversa de um garoto que nos levaria num restaurante maravilhoso. Bom, no final, tivemos que dar um poupado “faz-me rir” pra ele. Mas por que caímos entre aspas? Porque o lugar escolhido foi ótimo, a comida excelente, ele ficou nos paparicando o dia todo, mudando as cadeiras de lugar e tudo o mais, não pagamos cadeira, nem serviço, então foi um pagamento, não um golpe.