10 de Abril de 2016

Dá-me um gelato

Para nós, brasileiros, o sorvete sempre aparece atrelado ao calor. Quanto mais quente, mais é consumido. Isso é verdade no Brasil, que utilizou essa estratégia de marketing para vender mais sorvete no verão. O mesmo aconteceu com a cerveja. Não sei se foi uma ideia muito boa, mas, no meu raciocínio lógico, se sorvete é para se refrescar, e nos refrescamos no verão, logo, só no verão consumiremos sorvete. Ainda bem que estamos num país tropical… (eu sei, se não fosse calor a maior parte do ano, não teriam tido essa “sacada genial”). Mas essa estratégia tupiniquim não se verifica em outros países. Na Itália, com estações definidas, o verão dura apenas 3 meses, e degusta-se sorvete o ano todo. Famosíssima pelos seus gelatos super cremosos e saborosos, lá consome-se o dobro do que no Brasil. Sorte a nossa, pois há uma gelateria em cada esquina na Bota, principalmente na Toscana. Em busca do sorvete perfeito, encarei o maior número de sorveterias possível.

sorvete maggie simpson

Em Firenze, a quantidade de estabelecimentos que vendem a iguaria é tão grande que vc fica o tempo todo fazendo uma listinha mental de quais serão as próximas. Difícil cumprir, pois a todo momento vc esbarra com uma nova e sua programação cai por terra. A primeira que fomos conhecer foi a Carraia, por indicação de um amigo de meu marido. Estava lotada! É, o pessoal come sorvete mesmo! Apesar de haver gelaterias por todo lado, elas têm sempre um público numeroso (lembrando que estamos no auge do inverno!). Não conseguimos diferenciar, entre os italianos, quem são os turistas e quem são os locais, mas, como italianos em geral manjam do riscado, se houver muita gente parlando a língua de Dante, entre, vc não vai se arrepender. Como me disseram que aqueles sorvetes parecidos com o cabelo de Maggie Simpson e que estão de frente para a rua são pega-turista, preferi evitá-los, afinal, havia tantos outros na lista dos melhores…

Vivoli

E os da Vivoli figuram entre eles há muito tempo. Desde que fomos à Itália pela primeira vez, há 500 anos, meu marido ficou enlouquecido pelo sorvete de zambaione de lá. Em qualquer sorveteria, em qualquer parte do mundo, era o sabor que ele pedia. E tinha? Claro que não. Achamos que era um sabor exclusivo da Itália. E? Não, não tinha em nenhuma gelateria de lá também. Até que fomos à Vivoli. E? Sim, o tão esperado zambaione estava lá. Foi o maior sorvete que meu marido já pediu na vida. Parecia uma criança numa loja de brinquedos com os olhos brilhando! Mas a sorveteria que mais frequentamos durante nossa incursão em terras italianas foi a Venchi (conhecida por alguns paulistas depois da abertura do Eataly por aqui), pois, realmente, há uma cada esquina, e não só na Toscana, mas na Itália toda. Na de Firenze, era até difícil de entrar, já que estava sempre lotada de turistas asiáticos. Mas não me intimidei, encarei a galera, e lá tomei a maior casquinha da viagem (da vida seria exagero…). Por sorte a temperatura externa girava em torno de zero, minimizando o derretimento da enorme bola sobre a casquinha. Mas não só de sorvete vive a Venchi não, tem ótimos chocolates e sobremesas de dar água na boca, como morangos com fondue de chocolate e chantily que vc come espetando com um palitão. Eu tinha até cartão fidelidade!

Dondoli

Mas a mais surpreendente foi a de San Gimignano. Na terra das torres, fomos atrás da Dondoli, que, além de ter lido numa revista que era a melhor, foi-nos indicada por uma moradora de Firenze que pegava o trem até a cidade apenas para tomar sorvete lá. E? Estava fechada! Fechada! Sim, um mês de férias coletivas! Decepção, tristeza, desalento… Do outro lado da rua, havia a Gelateria del´Olmo que se intitulava como a melhor. Pensei: pega turista! O coitado vem lá do Quibrobó da Serra como eu para tomar o melhor sorvete do mundo (do mundo!) e dá com a cara na porta, então, atravessa a rua e toma qualquer um… Na falta de opção, fomos lá também e pedi o sabor de que mais gosto, doce de leite, que, neste caso era acrescido de sal do Himalaia. Melhor? Para tudo! Melhor do que melhor (não tem outra palavra não?) Era um doce de leite cremoso e doce na medida com o sabor realçado pelo sal e, ainda, com caramelo puxa-puxa, parecido com aquele bala toffee… Divino! Divino! Será que o da Dondoli é melhor? Não sei, mas o meu melhor já foi eleito.

Gelateria del`Olmo