23 de agosto de 2019

De cabeça pra baixo

Quando eu era criança e me falaram que se eu cavasse bem fundo iria parar no Japão, ficava pensando se quando eu chegasse lá eu ficaria de cabeça pra baixo ou não… Pois foi assim que me senti ao desembarcar na Tokyo Central Station.

Um dos lados da Tokyo Station – inspirada na estação de Amsterdan

Nosso hotel ficava a poucos metros da estação, mas levamos uma eternidade para encontrá-lo. A Tokyo Station é uma das estações mais movimentadas do Japão: cerca de 500.000 pessoas circulam diariamente em seus 182.000 metros quadrados, que contam com lojas e restaurantes. As pessoas andam apressadas na mão inglesa – às vezes este sentido é trocado, com indicações no chão – não levantam a cabeça e não conversam. Tudo isso, mais as placas em hiragana, katakana, kanji e romaji (meu semestre de Japonês me permite diferenciá-las, e só) enlouquecem qualquer um, e achar a saída de que precisávamos foi uma loucura. Perguntamos diversas vezes para diferentes pessoas – funcionários da estação, de lojas, transeuntes – mas entendíamos muito pouco. Os japoneses são solícitos sim; mesmo correndo, param para lhe dar atenção; mesmo apressados, te ajudam a comprar o bilhete na máquina de auto-atendimento; mas simpáticos, aí é outra história, sorriso é algo bem incomum por lá. Em hotéis bem turísticos, eles são até um pouco mais ocidentalizados e te apertam a mão, sorriem, mas em outros lugares, como nas estações por exemplo, os funcionários são bem lacônicos.

Frutaria na Tokyo Station

Já na rua, enfrentamos uma outra saga, pois os endereços são ininteligíveis até mesmo para os japoneses; pra vc ter uma ideia o hotel lhe envia indicações de como chegar até ele, inclusive com as fotos dos lugares pelos quais vc deve passar, porque o nome da rua e número de pouco servem. Pedimos algumas informações, demos várias voltas no mesmo quarteirão – cansaço, fuso, poluição visual – e, finalmente, encontramos o hotel.

O check-in foi muito rápido, me entregaram o wi-fi portátil alugado pela internet, e pronto. Não, não era uma caixa de fósforos – o segundo hotel em Tokyo será beeemmm menor. A cama era colada à parede, mas havia um bom espaço para circulação, para as malas e até um armário. O banheiro? Bom, este é um capítulo à parte. Ele era do tipo pré-fabricado para barcos – como todos são – o que te dá uma sensação de estar em alto mar, mas logo vc se acostuma; tinha uma banheira e aqueles vasos sanitários louquíssimos com várias funções – lava, seca, massageia, faz chapinha; não gosto muito não, prefiro o serviço tradicional, mas o assento aquecido é legal.

Hospedados, agora precisávamos comer. Como havíamos visto uns restaurantes de lámen na esquina – adooooro lámen – fomos para lá. Em um deles, havia uma maquininha de auto-atendimento na frente; tentamos, tentamos, e … não conseguimos – e durante o resto da viagem não avançamos neste sentido. Entramos num, havia um cardápio em inglês, pedimos e pronto. Rapidamente havia uma tigela fumegante de lámen à nossa frente. Havia uma garrafa térmica no salão, e como havia lido que o chá era à vontade em certos lugares, incentivei o Abelha a ir servir-se. Não era chá. kkkk A senhorinha que atendia no caixa e fazia várias outras coisas veio correndo em socorro dele. Não era chá, mas um caldo pra algum tipo de sopa. Eu acho…