17 de julho de 2015

De onde viemos?

Apesar de termos conhecimento de que o Universo surgiu há mais de 13 bilhões de anos (de acordo com a teoria do Big Bang – lembra? aquela coisa do nada, aí a explosão, e o tudo…) e de que o homem moderno (o homo sapiens sapiens – apesar de nem todos se comportarem como tal – piada péssima, não resisti) deu as caras há mais de 50 mil anos (não, não, não é a famosa “Lucy in the sky with diamonds” – que tem mais de 3,2 milhões de anos – pois ela é um australopithecos) e talvez justamente por sabermos disso, estamos sempre buscando as nossas origens. Sejam elas as mais próximas, como as de nossos pais e avós (de uma forma concreta ou espiritual), ou as mais distantes, como as antigas civilizações (real ou metafisicamente).

Lucy

Não sabemos exatamente porque vamos atrás dessas informações, mas que elas nos fascinam, ah! nos fascinam mesmo. Basta reparamos a quantidade de programas que tratam do assunto. Desde documentários do History que versam sobre temas concernentes ao surgimento do Universo ou do aparecimento das primeiras civilizações, até programas de entretenimento que buscam explicações sobrenaturais (inclusive com teorias sobre alienígenas) para a existência ou desaparecimento de povos antigos. Talvez para nos dar um sentido de vida; pensando que, ao descobrir de onde viemos, vamos aquietar angústias e preencher espaços vazios; ou, ainda, consigamos responder à outra grande questão (“para onde vamos?”), dando-nos uma tranquilidade quanto à finitude (ou não) de nossas existências.

A América do Sul é um prato cheio para essas incursões e excursões. Temos os maias, os astecas e os incas, os Moais da Ilha de Páscoa no Chile, as Linhas de Nazca e Machu Picchu no Peru, além de tantos outros sítios e povos encantadores e encantados. Ir a Machu Picchu, mesmo que não se faça a trilha inca, já será uma peregrinação. Chega-se a Lima rapidamente, partindo de São Paulo, e logo mergulha-se numa atmosfera fantástica; a bruma que encobre a cidade parece perfeita para ocultar mistérios. Mas não é nada disso, é apenas um fenômeno meteorológico, acontece porque a taxa de umidade é altíssima, fazendo com que a cidade esteja sempre coberta por uma névoa que é quase uma garoa… Mas, apesar disso, nunca chove (?!) Todas as construções têm telhados planos, já que não há a necessidade de caídas para a chuva (que louco!!). Mais um trecho aéreo e atinge-se Cusco (a 3400 metros de altitude) e você já começa a perder o ar (não resisti de novo). Aí se pega um trem (com um visual fantástico) e chega-se a Águas Calientes, e, ainda mais (ufa!), um ônibus e, finalmente,  a cidade inca de Machu Picchu.

Machu Picchu

Não dá para não ficar boquiaberto. Eu sei que vc já viu inúmeras fotos, que parece até que já esteve lá, que passou até na novela das 9h com a bicha má Felix passeando pelas ruínas, mas esqueça! Nada, nada mesmo, substitui o seu olhar, e todas as outras sensações que vêm junto. Eu sei também que é difícil entrar no clima com aquela infinidade de turistas (2.500 por dia, andando num mesmo sentido para melhorar o fluxo), mas há uma saída (cara, mas paradoxalmente impagável) que é pernoitar no hotel anexo ao Parque. Com isso, vc consegue não só ver o pôr do sol nas ruínas sem nenhum visitante (o último ônibus para Águas Calientes sai antes do Parque fechar) ou o sol nascendo, empurrando as nuvens e descortinando as ruínas e a montanha Machu Picchu (velha montanha) bem diante dos seus olhos sem ninguém (o Parque abre antes do primeiro ônibus chegar).

Machu Picchu

Não, não tem nada mágico, não foram os alienígenas, nem nada do tipo (aliás, é até um desrespeito falar alguma coisa do tipo, é como se os ancestrais deles – nossos – não fossem capazes intelectualmente de construírem espaços tão organizados, e templos tão opulentos!) É como se estivéssemos de volta às origens, não a minha particular (aquela da árvore genealógica que, com a ajuda do Google, estou fazendo – consegui até acessar os arquivos da Igreja Húngara na Yugoslávia de 1700 e bolinha!), mas a nossa, a da Humanidade… é como se entrássemos em contato com algo muito maior, mas que não é metafísico, é real, está lá diante de nossos olhos! É realmente inexplicável, impagável, e tudo mais ável! A minha próxima meta é fazer a trilha inca, para ver a cidade se revelando por um outro ângulo. Certamente me surpreenderei novamente…