1 de Março de 2018

“Despacito”, sqn

Quando cheguei ao aeroporto de Bogotá, como boa marinheira de primeira viagem, fui ao balcão de táxis solicitar o meu para não cair no golpe do táxi falso, tão comum na América Latina. Paguei na hora. “Puxa, estou pobre mesmo, tinham me dito que táxi na Colômbia era super barato, mas não achei não.” Surpresa! Era uma van enorme, a fila dos táxis comuns estava logo ali. Quén, quén, quén (onomatopeia). Não, não há golpe de táxi em Bogotá.

Já no percurso, tive uma sensação parecida com a que tive em Lima: estar no trânsito de São Paulo a alguns anos atrás. Buzina, motoristas sem cinto, com o braço pra fora da janela, ausência de placas indicativas de limite de velocidade, o que faz com que eles conduzam como loucos. E mais, os motoristas pedem informações pras pessoas nas ruas   , ao invés de serem guiados pelo GPS, o nosso inseparável amigo waze. Ah! mas é super fácil encontrar tudo! Nãnãninãnão. A cidade de Bogotá deve ter sido urbanizada por um gênio! Pense num jogo da velha: as linhas horizontais são as calles (rua), acompanhadas por números (1,2,3…), como em Nova York, e as verticais, carreras (algo como avenida), também acompanhadas por números. Os endereços têm o número da rua e o número da casa (por ex: cale 2, n° 10), mais a indicação do quarteirão em que se encontra em relação à perpendicular (calle 2, nº10 – 45). Fácil, né? Não. Tem a rua 1b, 5a, tem rua de apenas um quarteirão, há ainda as que têm nome, enfim, uma bagunça generalizada, só encontra o endereço quem o conhece, ou quem sai perguntando. Não houve uma única vez que o taxista encontrou o nosso hotel de prima (era um hotel, não a casa da minha tia Cotinha!). Era sempre uma saga.

Outra coisa é que eles ainda têm o antigo hábito de chamar táxis pelo telefone, eles não usam aplicativos! Pedimos no hotel um táxi para um horário x para ir a um restaurante específico, com reserva, etc. Horário de pico, e ele, simplesmente, não apareceu. O hotel pediu então outro, mais caro, melhor, segundo ela. Fomos. Crazy. O motorista chegou ao lugar aproximado e saiu perguntando, chegou à rua, onde não circulavam veículos, e meu marido teve que sair do carro pra ver se o restaurante era lá mesmo. Quando olho no bunceps dele, uma mancha branca, na calça preta! Olho no banco e (ai meu Deus,) chiclete! Não preciso nem dizer que ele ficou putíssimo e a calça foi-se, irrecuperável. Mas aí eu me pergunto: se esse era o táxi mais caro e melhor, como seria o outro?

A ausência de fiscalização só não torna as coisas mais loucas porque o trânsito é infernal, completamente parado em horários de rush! Bogotá  não tem metrô, ficou anos no projeto e acabou saindo do papel um sistema de ônibus copiado do BRT de Curitiba, o Transmilenio. Que também não tem nada de fácil pra se acertar o trajeto, é o samba do criolo doido (posso falar isso? Acho que não, tira). Eles vão muito mais rapidamente do que os carros, claro, mas é a maior confusão pra fazer as conexões pra se chegar onde se quer, os mapas são super confusos, e a cada vez que vc pergunta pras várias pessoas que ficam nas estações (só pra isso, acho) vc recebe um itinerário diferente – a cada vez que fomos do hotel para o Centro e vice-versa nos indicaram caminhos diferentes! Mas andar de ônibus em Bogotá já é uma atração em si. Lembra há alguns anos que as pessoas vendiam de um tudo no ônibus, até a mãe? Pois então, lá é pior ainda, sei lá se é pior, mas é mais intenso. Vendem-se coisas (menos comida, é proibido), toca-se, canta-se, e canta-se muito. Eles têm uma espécie de mini amplificador que é pendurado no pescoço, de onde sai a música e o microfone. Os ônibus podem ser bi ou tri articulados e chega-se a ter até dois cantores simultâneos num ônibus, e a galera dá grana, numa boa, ninguém parece se incomodar não. Tem até venezuelanos que,  além de contarem a história triste pela qual está passando no país (tristíssima mesmo), pedem dinheiro e te dão bolívares como souvenir – eu até trouxe um pra coleção de moedas da minha sobrinha.

Beleza. Aí vc sai do caos e chega à tranquila Cartagena. Se vc achava uma loucura os táxis de Bogotá, os de Cartagena não têm nem taxímetro. Sorte que estávamos no Centro histórico, então precisamos deles muito pouco. Mas a praia era o destino principal. Tranquilidade, o barulho das ondas… Ops! que barulhão é esse? um avião? não, são os jetskis, OSS, vários, muitos. Na Praia Branca, eles andam a toda na área dos banhistas! Se vc pensa que vai ficar naquele mar azulzinho, boiando com o seu panceps pra cima, na boa, tome cuidado – “Vida Loca”