2 de setembro de 2019

Encontro no maior cruzamento do mundo

Tokyo é de longe a cidade mais populosa do mundo – algo em torno de 37 milhões na região metropolitana!!! Logo, não é de se espantar que tudo seja cheio, principalmente trens e metrôs. Não cheguei a encontrar aqueles peculiares funcionários de luvas brancas que empurram os passageiros pra dentro dos vagões – talvez porque evitamos os horários de pico ou porque estávamos no Ano Novo, o maior feriado do Japão (Não, eles não seguem o calendário chinês na hora da virada). Chegamos a pegar, sim, o trem lotadaço, mas é tão diferente daqui… Apesar de estarmos com quase todas as partes do corpo coladas nas de outrem, não há nenhuma interação – sorriso, reclamação, comentário, nada, é como se estivéssemos colados em coisas, não em pessoas. (Isso não significa que não há assédio. Tem sim.)

Museo Ghibli

E como faz pra que tanta gente se organize? FILA. Japonês adora fila. Um japonês não pode ver outro que já para atrás. Não tô zoando não, é sério. Se tem uma placa, e duas pessoas querem lê-la, não tem essa de um olhar por cima da cabeça do outro não, um para atrás do outro e espera pacientemente a sua hora de vê-la. No Museu Ghibli, as pessoas íam andando em ordem, assim meio de ladinho, para verem as obras, não tem aquela amontoeira de gente não. (Confesso que é meio aflitivo, pois cada um tem um tempo diferente de apreciação…) Na estátua do Hachiko (do filme “Sempre ao seu lado”), havia uma fila perfeitamente formada pra tirar fotos com ele. E não só. Um simpático senhorzinho, parado ao lado, se oferecia para tirar fotos de todo mundo e ainda dirigia a foto: “os dois”, “agora só vc”, “agora, o outro”, “sorria”. Isso mesmo! Ele ficava lá parado com uma plaquinha nas costas “free photos”. E claro, todo muito aceitava. Era muito fofo.

Hachiko

O cachorrinho fica ao lado do maior cruzamento do mundo: o de Shibuya. É gente indo pra todo lado ao mesmo tempo e sem se trombar. Parece orquestrado. Pra observar de camarote o vai-e-vem dos pedestres, vale a pena subir no segundo andar do Starbucks ali na esquina e tomar um matcha com leite gelado. Se vc tiver a mesma sorte que eu, ainda encontra uma amiga por acaso. Foi isso mesmo o que aconteceu comigo! Acredita? Encontrarei a Noemia, minha colega do curso de japonês. Vc pode conceber duas pessoas de São Paulo estarem no mesmo dia e horário no maior cruzamento do mundo e … se encontrarem? (Piada de outro colega do japonês: como vc conseguiu identificá-la entre tantos japoneses?)