13 de Maio de 2015

Escolha uma das alternativas

Todo destino turístico tem seu “Pão de Açúcar e Corcovado” e, de uma forma ou de outra, por mais que tentemos ir na contramão do turismo de massa, acabamos não conseguindo escapar dessas “tentações” turísticas. Em Foz de Iguaçu não é diferente. Impossível passar pelo destino mais “aguado” do país e deixar de fazer alguns passeios ícones, como a caminhada das cachoeiras (“Lua, lua, lua, lua”), o Parque das Aves, o Macuco Safari e a usina de Itaipu (A Queda). Antes mesmo de chegar ao destino, a agência do hotel me enviou as opções de passeios para serem reservados. Escolhi a caminhada e o Macuco (que era campeão de audiência) e deixei para decidir outros depois.

No primeiro dia, depois da caminhada matinal nas Cataratas, com a tarde livre, optamos pelo Parque das Aves que, além da proximidade com o hotel onde estávamos, não precisa reservar, vc compra as entradas na hora (tinha uma filinha, dizem que às vezes é bem grande!). Após uma rápida pesquisa no tripadvisor, encontrei informações díspares, de lindo a terrível; então, decidi tirar minha própria conclusão. A ideia é boa: o parque é privado, resgata aves em perigo, ajuda na reprodução de algumas em extinção, reinsere outras na natureza, etc, etc. Quando vc começa o passeio, é impressionante, as aves são magníficas, os tucanos são ES-PE-TA-CU-LA-RES, as crianças ficam enlouquecidas! Vai passando, vai passando… as crianças perdendo o interesse…  vc começa a questionar se as aves realmente estão bem lá…  tão pouco espaço…  por que não foram todas inseridas na natureza? por que há algumas aves exóticas de outros lugares do mundo? De repente, uns paraguaios, muito tristes, numa lanchonete triste também, no meio do parque, tocando e vendendo CDs…?! Se era pra ser um trabalho de conscientização, se perdeu… No final, parece que vc está num zoológico como outro qualquer, com animais pacíficos e enjaulados…

Parque das Aves

No dia seguinte, já tínhamos reserva para o Macuco Safari, que só tinha boas referências na net (pelo menos as que eu tinha lido até então) e se auto-intitula como “uma das melhores maneiras de experimentar as cataratas”. Bom, por que não? Lá fomos nós. Primeiro, uma trilha de jipe com a guia dando informações (superficiais e irrelevantes) sobre o Parque, em 3 línguas (inglês, português e espanhol… não acabava nunca!) Depois uma pequena caminhada e, por fim, o bote. Colocamos os coletes, escolhemos os lugares – na verdade, os últimos dois – e lá vamos nós!!! O animador de torcidas, ou melhor, o fotógrafo/salva-vidas, ficava pedindo sorrisos, acenos e gritos, enquanto o manobrista, quer dizer, o condutor do barco, fazia manobras radicais parar sermos clicados aos berros sob a água das cachoeiras. (Claro, que caí no golpe e comprei o CD). O casal coxinha de gaúchos fazia caras e bocas para sua câmera com proteção aquática, enquanto tentava se manter seco sob uma capa de chuva bem ineficaz; do outro lado, o grupo madurão de peruanos se preocupava mais com a captação sonora de sua câmera devidamente acondicionada em seu pau de selfie (seu pau? eu disse isso?) do que com o visual que as cataratas proporcionavam. Aliás, visual era a menor preocupação do passeio. Por que não podia ser algo contemplativo, tipo Les Calanques em Marseille? Por que tem que ser uma tentativa de algo “super radical”.  Às vezes radical demais, como as duas mortes ocorridas no lado argentino (Viaje na Viagem); se tivesse lido antes, acho que não teria feito…

Na loteria dos passeios turísticos, nem sempre acertamos… escolhemos uns, deixamos outros (como o lado argentino das Cataratas que eu sinto muito em não ter refeito), mas sempre há a opção de repetir o destino… quem sabe daqui a 30 anos…