20 de Março de 2016

Foi da Vinci quem criou!

Sabe por que Deus descansou no sétimo dia? Porque estava tudo pronto? Claro que não, né? Porque da Vinci iria criar todo o resto, oras.

Quando você pisa na Itália, em especial na Toscana, tudo tem o dedo de da Vinci. Qualquer lugar que vc vai visitar, qualquer tour, lá vem alguém explicando alguma coisa que da Vinci inventou. Desde uma simples roldana até um helicóptero, passando por uma engenhoca muito comum nas vinícolas, que permite ao enólogo provar o vinho durante o envelhecimento sem deixar entrar ar no barril, lá está ele, da Vinci!!! Vc tem a impressão de que se da Vinci não tivesse existido, tudo a sua volta seria diferente. E, provavelmente, seria mesmo.

Leonardo da Vinci, filho ilegítimo de um notário da cidade de da Vinci – daí o seu nome, pois ele não leva o sobrenome paterno – e de uma camponesa de nome Catarina, é educado, a partir dos 15 anos, no ateliê de Andrea Verrocchio – prática comum na época – onde aprende “de um tudo”. Desde anatomia, dissecando cadáveres humanos no Hospital de Santa Maria Nuova, em Firenze, e posteriormente no hospital de Milão e no de Roma, até desenho, pintura e escultura, tendo como colegas Ghirlandaio, Perugino e Botticelli, uns artistinhas mais ou menos.

Da Vinci

Mas não pense em encontrar vários museus com obras de da Vinci ou muitas dessas nos grandes museus italianos. A maior parte de seus estudos (como engenheiro, inventor, anatomista, pintor, escultor, e outros) se encontra em anotações de caderno que nunca foram concretizadas em seu tempo – algumas impossíveis de serem realizadas mesmo. E de suas pinturas, não mais de quinze podem ser apreciadas hoje, isso porque Leonardo era um incansável experimentador de técnicas que muitas vezes não davam certo ou por adiar indefinidamente seus trabalhos que muitas vezes não eram concluídos.

Assim, vc vai muito mais ouvir de Leonardo do que ver o que ele fez. Mas há alguns tesouros! Em Firenze, pode-se visitar o lúdico Museo da Vinci, repleto de maquetes em madeira de suas invenções que o visitante pode manusear à vontade. É divertidíssimo! Ainda Firenze, na Galleria degli Uffizi, vc pode ver L’Annunciazone (1472 – 1475), que retrata o momento em que o anjo Gabriel anuncia à Maria que ela será a mãe do filho de Deus.

L'Annunciazione

Em Venezia, na Galleria dell’Accademia, vai poder ver o Uomo Vitruviano (1490). Se vc der sorte, eu não tive, porque não é sempre que está em exposição(?!) É um estudo das proporções humanas baseado no tratado do arquiteto romano Vitrúvio. É aquele negócio super divertido de que o comprimento dos braços abertos de um homem é igual à sua altura ou que a distância entre o cotovelo e a ponta da mão é um quarto da altura de um homem, etc, etc. Ah, vc pode até comprar uma camiseta do Homer vitruviano, é! o dos Simpsons! (Vai dizer que não gostou? Ô mau humor!)

Mas a cereja do bolo está em Milano: Il Cenacolo. A obra  (1495 – 1498) foi pintada na parede do refeitório dos padres dominicanos de Santa Maria dele Grazie, a pedido de Ludovico Sforza (il Moro), então duque de Milano. A cena congela o momento exato, durante a última ceia, em que Jesus teria dito aos apóstolos que um deles o trairia. Tenta captar a expressão de cada um dos seguidores de Cristo no ato dessa revelação, menos a expressão de Cristo que da Vinci não concluiu por se sentir incapaz de fazê-lo. A ironia reside no fato de que a obra está sumindo… Isso porque a técnica utilizada pelo pintor, não do afresco que era a mais corrente na época que consistia na pintura sobre o gesso ainda fresco, mas à têmpera, a seco, vem provocando a deterioração da pintura desde a sua execução. Por muito tempo ela esteve em restauração – que não conseguiu reverter todos os efeitos do tempo e nem brecar o desgaste futuro – mas agora é possível apreciá-la (e até fotografá-la). Divina!!!

Il cenacolo

“De tempos em tempos, o Céu nos envia alguém que não é apenas humano, mas também divino, de modo que através de seu espírito e da  superioridade de sua inteligência, possamos atingir o Céu.” Giorgio Vasari