12 de setembro de 2019

Fuji-san para presente

Desde que assisti ao filme “Hanami – Cerejeiras em flor” em 2010, fiquei fascinada com o Monte Fuji. Depois de muito pelejar, finalmente a viagem ao Japão se tornou realidade e o Fuji-san estava no topo da lista das atrações que eu queria conhecer. A imagem que não saía da minha cabeça era a janela do quarto sendo aberta e o Monte se revelando ao fundo. Pesquisei, pesquisei e pesquisei, mas não consegui descobrir se se tratava de um hotel ou não. Como não obtive sucesso nas minhas “googadas”, resolvi buscar uma hospedagem que oferecesse vista da dita montanha – que na verdade é um vulcão – pasme – em atividade! Achei um ryokan (uma hospedagem tradicional japonesa) que oferecia vista – parcial, mas ainda assim uma vista – da montanha mais escalada do mundo.

No final do trajeto da viagem de trem de Tokyo a Kawaguchiko, já pudemos avistar o Monte Fuji e foi emocionante – não só para nós, como também para os outros passageiros que emitiram um sonoro “óóóóó”. Para chegar ao nosso hotel foi muito fácil: no posto de informações turísticas, pedimos para avisar ao hotel que havíamos chegado e em 10 minutos o motorista estava lá para nos buscar. O atendimento no ryokan é personalíssimo – a mesma pessoa que faz o check-in, prepara o chá no quarto, serve o café da manhã e o jantar, e ainda organiza os passeios. O hotel era uma graça, o quarto tinha tatames e futons para dormir – achei que seriam desconfortáveis, mas a noite foi incrível, talvez a mais relaxante de toda a viagem. Vestimos yukata – uma espécie de kimono de verão feita de algodão – para andarmos nas dependências do hotel e relaxamos em um onsen – uma banheira quentissíssima onde vc entra após tomar um vigoroso banho – e bota vigoroso nisso! Tomamos café e jantamos ao estilo japonês – comemos até peixe no café da manhã (que estava delicioso) e fugu no jantar (que eu não gostei nem um pouco, parece um cação). E, sim, o Monte Fuji estava lá depois da janela – pude vê-lo ao anoitecer, ao amanhecer e ainda por todos os lugares por onde passeamos.

No primeiro dia, como chegamos ao entardecer, não dava tempo para fazer muita coisa, então demos a volta a pé no Lago Kawaguchiko, e de todos os ângulos pudemos avistar o Fuji-san em toda sua majestade. No segundo dia, fomos à estação de esqui mais próxima que fica a apenas 30 minutos de ônibus da estação de trem. E não, não se esquia “O” Monte Fuji, mas aos pés dele. Eu não esquio nada, só o meu marido, mas passei horas observando e fotografando o Fuji nas suas mais variadas formas – as nuvens abraçando-o e reverenciando-o como a um deus. Depois, andamos em um ônibus turístico que faz a volta no Lago Saiko, de onde, é claro, se pode avistar o Monte. Na hora de ir embora, todos os funcionários estavam lá para se despedirem alegremente de nós e nos presentearem com fotos do Fuji-san. A despedida da montanha se deu no trem, enquanto nos afastávamos, ela ía sumindo…

Dizem que o Fuji não se revela a qualquer um e a qualquer momento – isso é dito, inclusive, no filme, que é imperdível! Gosto de acreditar que foi um presente…