25 de julho de 2016

Ivan, o terível

Não, não, este texto não tem nada a ver com o czar russo, até porque continuo falando da Itália. Ivan (com a tônica no í), neste caso, é um “serumaninho” braco, de apenas um aninho de idade, que está aprendendo a ser um especialista em aponte de trufas, e que conhecemos na nossa viagem a Alba, no Piemonte. Se vc vem seguindo o blog, já sabe que eu odeio trufas, sejam negras ou brancas (nenhum preconceito, odeio todas igualitariamente), então por que ir a uma caçada de trufas? Bom… meu marido adooooora trufas, e eu adoro cães, então, por que não nos lançarmos a novas experiências? Mas dessa vez não comi nenhuma trufa, nem uma lasquinha sequer, e achei a desculpa perfeita para que ninguém fique me olhando como se eu fosse um alienígena por não gostar de trufa – “Tenho alergia!”- Todos ficam comovidos com essa justificativa e me olham até com cara de dó…

Conhecemos Ivan num passeio contratado no Centro de Informações turísticas em Alba (aliás, em Turim, onde estávamos hospedamos, não conseguimos nenhuma indicação de onde poderíamos fazer tal passeio, tivemos que pegar um trem sem saber o que encontraríamos, e só na graciosa cidade de Alba pudemos descobrir). O pessoal do tour nos buscou no “i” no centro de Alba e nos levou até uma região de mata, onde encontramos Ivan. Ele chegou acompanhado por Pierre, Presidente da Associação de caçadores de trufas  ou ” trifolaus”, que são especialistas em trufas.

Alba

Como estávamos um pouco fora da época (o auge ocorre entre outubro e novembro) de trufas brancas – que só ocorrem na Itália e nessa região, talvez não as encontrássemos, ou melhor, Ivan não as encontrasse. Mas como um filhote incansável, este carismático serumaninho não descansou um só minuto. Os cães são treinados desde pequenos a indicarem onde estão as trufas para que o trifolau as retire da terra, numa profundidade de 20 a 40 cm, sem danificá-las, pois disso depende seu valor. Como são treinados? Bom, eles precisam gostar delas, e para isso elas podem até ser esfregadas nas tetinhas da mamãe quando eles ainda mamam para que o cheiro esteja relacionada ao que há de mais gostoso, o leitinho da mãe, depois eles podem comê-las quando as encontram, com o tempo eles são incentivados a trocá-las por outros presentes e só indicar a localização delas.

Alba

Ivan estava tentando sair da segunda fase, ora comia a trufa, ora só a indicava. Corria enlouquecidamente pela floresta de terreno íngreme e nós tínhamos que segui-lo senão perderíamos a indicação ou a trufa que ele devorava se demorássemos a chegar. Ficamos mortos, e Ivan, impassível, não parava de correr e pular em cima de nós todo enlameado, deixando-nos completamente “sporchi”, que não quer dizer porcos como meu marido achou (porco é “maiale”), mas sim sujos. Saímos com lama até as orelhas, e meu marido feliz da vida com suas trufinhas num potinho, mas o mais incrível, sem dúvida, foi ter passado uma tarde tão divertida assim com Ivan!