14 de fevereiro de 2019

“Lost” in Dubai

Chegamos em Dubai à noite, por volta das 22, depois de milhões de horas de voo – na verdade, 14 – pela Emirates a partir de São Paulo. “Nossa, Tânia, mas vc foi de A380!” Ah tá, de econômica, né? Depois de um tempão tentando dormir sem conseguir, aquele espacico a mais não faz a menor diferença. Meio tontos, pegamos o trem, o elevador, o jacaré e… finalmente o táxi. Era um carro cor de rosa, dirigido por uma muçulmana igualmente coberta de rosa. Já tinha lido sobre este tipo de transporte que foi criado para mulheres muçulmanas desacompanhados, mas que também pode ser usado por famílias, tipo o lady drive e outros do gênero que existem por aqui. Entramos no táxi, e entregamos à moça um print do hotel com o nome (XVA Art Hotel), o MAPA, as direções de como chegar lá de táxi e o telefone para ser chamado em caso de dúvidas do taxista. Ela saiu dirigindo como louca – fiquei sabendo depois que há um altíssimo índice de acidentes nos Emirados Árabes – e disse que nunca tinha ouvido falar do local. Olhando o mapa, parecia que ela não entendia nada. Bom, não tem problema, usa o GPS. Ela não tinha. Foi buzinando para outros taxistas e perguntando sobre o hotel, ao que recebia negativas como resposta. Ok, liga lá então. “Não, não tenho crédito.” Oi? É, nós também não tínhamos. Não havíamos comprado chip que servisse em Dubai ou wi-fi ou qualquer coisa que o valha, afinal, pra quê? ficaríamos apenas 2 noites – DUAS! Falamos que o hotel ficava no bairro de Bur Dubai, numa área de pedestres fechada ao tráfego, era um hotel em estilo árabe, onde funcionava um café aberto ao público e uma galeria de arte. Nada. O pior é que ela não parava pra tomar uma atitude, ou nos devolver no aeroporto, ou nos largar na rua, ou sei lá! Dubai é um lugar seguríssimo, por isso não achei que estava sendo sequestrada por uma fanática terrorista e me atirei do carro – isso se eu conseguisse abrir a porta do carro… Até que, finalmente, ela parou num ponto de táxi, desceu e foi falar com um motorista. “Abelha, vai lá e dá um jeito!” Depois de alguns minutos, ele voltou. “E aí?!” “Sei lá, eles estão falando em árabe!” Assim, tranquilão… Depois de mais alguns minutos, ela voltou, entrou no carro e saiu a toda sem uma palavra. “Oi? agora vc sabe onde fica?” “Sim. É na área árabe.” Ah, então tá. Nos deixou na entrada da zona de pedestre, “Vai aqui e vira ali”, e saiu zuncada. Por sorte, táxi em Dubai não é caro, senão teríamos desembolsado uma fortuna. Entramos aqui e ali, e? nada do hotel. Viramos lá e acolá, e? nada. Quase morri de susto quando tropecei num cara parado, fumando naquelas ruelas escuríssimas, mas nem demostrei, não caí do salto e continuei, tanto que o Abelha até perguntou se eu tinha visto o cara! Voltamos até o ponto inicial e ficamos esperando alguém com uma cara “boa” para perguntarmos. Quando apareceu um rapaz com roupa ocidental, pulamos em cima dele. Ele nos fez segui-lo sem uma palavra. Agora fudeu. Sequestro na certa. Ele nos deixou na porta do nosso lindíssimo hotel e foi embora sem nenhuma palavra. Dubai esconde surpresas, às vezes com alguma emoção…