25 de julho de 2015

Mala sem alça

Minha primeira mala, “aquela”, aquela que eu mesma escolhi (sem interferência de meus pais) e comprei (com meu próprio dinheiro, fruto de meu trabalho) era… quase um sarcófago! Se alguém me matasse, poderia me colocar dentro dela, que eu caberia. Não sei o que passou na minha cabeça pra comprar uma mala daquela! Na verdade, eu sei; tinha uma amiga que trabalhava numa loja de surf e ela me “vendeu” a dita cuja. Então, vc pode imaginar que ela não era só enorme, como também de uma cor bem discreta, amarelo-limão. Fui passar o carnaval em Recife com a coitada (na verdade, coitada era eu que tinha que carregá-la). Aí vc me pergunta, mas que tanto vc tinha que levar para passar o carnaval no verão nordestino? Nem sei, acho que nem tinha tanta coisa, mas tinha que encher a mala… Ela foi roubada… Não nesta viagem, mas em outra, e isso nem vem ao caso, só não teve um fim nobre. Rest in peace!

Sarcófago

Na primeira viagem à Europa, instruíram-me que eu deveria colocar minha mala num carrinho, que me foi prontamente emprestado! (Mas por que eu não comprei uma mala de rodinhas? Sei lá, provavelmente não tinha $ para “desperdiçar” numa mala.) Então, peguei aquela clássica mala de couro vinho da déc. de 70, que meu pai havia encontrado no lixo (novinha, só jogaram fora porque perderam a chave e tiveram que cortá-la para tirar o que tinha dentro), coloquei-a no carrinho, prendi com aqueles elásticos com ganchinho e lá fomos nós…deixando a mala escorregar pelas laterais toda vez que passava por um degrau ou guia na rua e tinha que parar para arrumá-la. O fim desta foi mais nobre, doei-a, espero que tenha feito outras viagens…de carro, seria mais cômodo.

Mas meu sonho era uma valise! Ah, uma linda valise como aquelas que a mocinha tem nos filmes! Não demorou muito até eu encontrar a mala de mão de meus sonhos, num bazar da Victor Hugo. Era redonda, como aquelas para se guardar chapéus. Na verdade, acho que é para isso que ela serve, e só! Na minha lua de mel, fui linda e loura para a Europa com minha valise. No primeiro voo, São Paulo-Paris, aviãozão, tudo certo. No segundo, Paris-Praga, não, ela não cabia no compartimento de bagagem do avião, nem embaixo do banco, tive que pedir ajuda para a comissária (em tcheco!?); no próximo, Praga-Budapeste, idem; mas dessa vez em húngaro, não em tcheco; com essa minha cara, me acharam local, aliás os únicos lugares onde isso aconteceu! Esta virou objeto de decoração.

A partir de então resolvi diminuir o meu limite de bagagem. Só mala de mão, e das pequenas, e nada de redondas, só as maleáveis, que se encaixam em qualquer lugar. Como não se pode mais embarcar com líquidos depois do 11 de setembro, todos os itens de perfumaria eram comprados no destino e usados até o fim da viagem quando teriam suas embalagens descartadas. Foi assim quando fui para o Canadá encontrar meu marido que estava fazendo um curso lá. Estávamos passando por uma crise aérea em dezembro de 2006 e cheguei com horas de antecedência no aeroporto de Guarulhos para não ter problemas. Não havia ninguém, era 25 de dezembro, vulgo Natal… Entrei na fila do check-in (ainda não havia check-in on line) daqueles que não tinham bagagem para despachar. Conversando com as pessoas que estavam na fila (porque demorou muito, apesar de não ter ninguém no aeroporto, e talvez por isso mesmo, não havia atendente também), todos estavam em conexão e não acreditaram que eu não tivesse uma mala gigante para despachar, afinal estava indo para o inverno no Canadá! Um deles até achou que tinha descoberto o segredo, que, na verdade, eu iria encontrar minha irmã no Canadá, que tinha um corpo idêntico ao meu e iria me emprestar todas as suas roupas! Até o atendente achou estranho. Sim, ele veio. Perguntou-me de onde eu estava vindo, ao que respondi “de lugar nenhum”. Mas a conversa continuou, e em outro tom “Sra, a sra está em conexão, por isso não tem bagagem, de onde a sra. vem?” “Da minha casa.”

bagagem de mão

Mas, nas próximas viagens, a coisa foi ficando cada vez mais complicada em termos de fiscalização, e nem minha mala molinha, sem líquidos podia ir comigo no avião. Assim, cedi à tentação, e fui comprar uma média de rodinhas. Sim, média. Havia 4 tamanhos, comprei a 3a. em nível ascendente. Era enorme! Mas só percebi depois! Enquanto ela era só uma mala, numa loja de malas, com outras malas, inclusive maiores, ela parecia uma mala normal, mas quando virou minha bagagem, ela se tornou um chumbo. Ok, vamos colocar coisas mais leves, mas volumosas, tipo casacos fofos, para que ela não fique tão pesada, apesar de continuar grande (o tamanho estava dentro do limite permitido). E lá fomos nós para Provence e Cote-d’Azur. Foi tudo bem no avião de ida, nos trens internos, pois há um bom espaço para malas ao lado da porta, além do que havia a vantagem de não ser uma mala atraente para ser roubada, o ladrão teria problemas para carregá-la…

Mas na volta…no guichê da Lufthansa, fui informada de que minha mala excedia os 32 kg permitidos. Ao que meu marido prontamente se ofereceu a pagar pelo excesso de bagagem. (Vergonha alheia!) Não, não era excesso de bagagem total! Era excesso de peso para a bagagem individual. A mala não podia ter mais de 32 kg, limite de segurança para o carregador. E tinha 39 Kg! com excesso de sabonete! Sim sabonetes, lembra? eu fui para Provence, lavanda, etc… Bom, eu podia dividir a mala, mas como? O atendente da Lufthansa foi realmente gentil e prestativo e disse que eu poderia ir num setor lá e pedir uma caixa para colocar o excesso. Fui correndo, e me deram…um saco! Tive que abrir minha mala, e, no meio de olhares curiosos, escolher entre sabonetes, calcinhas, livros e roupas, os itens que iriam no saco, que foi lacrado e como uma trouxa de desenho animado despachada. Mas acho que aprendi a lição, agora tenho uma mala pequena (a menor) de rodinha, com um ziperzinho para aumentar só um pouquinho para trazer alguns souvenirs… Sabonetes?! Sim, eles são permitidos, mas em número bem menor…

peso bagagem