16 de Janeiro de 2015

Na França, falando em francês (!?)

Aí a pessoa faz AQUELE curso (básico, claro) na Aliança Francesa, e vai para Paris gastar o “seu” francês. Acha que não só vai chegar abalando, como vai voltar fluente no idioma de Victor Hugo!

Vai de Tam, não de Air France, então não consegue iniciar a prática no avião, mas desce no Charles de Gaulle sedenta. Nada, ninguém, nenhuma pergunta ou cumprimento… bagagem, imigração, fila do táxi… Bom, no táxi, o motorista não conseguirá escapar! Ele abre o porta-malas com um aceno de cabeça. Asiático. Coreano, chinês, japonês? Nas únicas palavras proferidas ao entrar no carro, olhamo-nos estupefactos: não entendíamos um ao outro! Que língua ele falava? Coreano? Ou francês com sotaque chinês? Papel pra cá, papel pra lá, GPS… achamos a direção do hotel. Mais uma ou duas palavras trocadas durante todo o trajeto, apesar do trânsito (e justamente por causa dele) e chegamos ao hotel.

Ao entrar no Mercure, as primeiras palavras em francês com a recepcionista, acompanhadas de sorrisos de ambos os lados pela boa compreensão, logo foram substituídas por uma cara de desalento (a minha, claro), assim que a atendente engatou a segunda marcha na conversação. Ao verificar que éramos brasileiros, já partiu pro espanhol, no qual era fluente, e assim foram os próximos 13 (sim, treze!) dias de hospedagem…

Torre de Babel

Torre de Babel

O bairro no qual nos hospedamos era africano… alguns orientais (árabes, libaneses ou sírios) também… Fomos ao mercado, a boulangerie, a fromagerie… trocamos aquelas três palavras necessárias para o comércio, carregadas com o sotaque de cada um (africano de lá, latino de cá, oriental de acolá).

Ah! Mas fomos à tradicional casa de chá Angelina, não só tomar o famoso chocolat chaud 70% cacau, mas adentrar a cultura francesa. Fomos colocados no segundo andar (o que em si parece ser um mau sinal), repleto de turistas orientais (é, eles são muitos mesmo, só na China são mais de 1 bilhão, né?). O garçom, que deixou o brioche rolar pela mesa, talvez porque tivesse, assim como minha cara metade, um olho no gato outro no peixe, travou com meu marido uma conversa em inglês, apesar de ser espanhol! (Garçom espanhol, falando em inglês, no café francês, com brasileiros, num andar repleto de chineses? Oi?)

No Quartier Latin, a maior fila era da livraria Shakespeare & Co. Não sei exatamente o porquê: se os turistas – que não falam francês – querem se abastecer de literatura para a viagem; se é pra ver o quartinho dos (pobres) escritores (pobres);  se para conhecer a filha “pródiga” de George Whitman? Sei lá, mas eu também queria entrar… só não tive coragem de ficar na fila no frio e na chuva…

Nas Galeries Lafayette, a maioria são asiáticos. Não só os clientes, que fazem filas em lojas de grife, como Louis Vuitton, e no balcão de Tax Free, mas as vendedoras também! O museu mais legal que visitei é de um artista espanhol! Na Sephora da Champs-Elysées, o atendente fala português com sotaque brasileiro! No Reveillon, no Arc de Triomphe, africanos, italianos, brasileiros, etc. trocavam votos de felicidade em suas respectivas línguas…

Vou pensar melhor antes de me inscrever no meu próximo curso de idiomas!