28 de maio de 2020

O jardim que saiu da tela

Há exatamente 1 ano, fomos a Paris com o intuito quase que exclusivo de visitar os jardins de Monet. Explico: como regra, viajamos somente entre as festas de fim de ano, o que faz com que visitemos os mesmos lugares sempre nas mesmas estações do ano, assim só tínhamos ido a Paris no inverno, e os jardins não estão abertos nesta época do ano por motivos óbvios. A cada época – primavera, verão, outono – podem-se encontrar flores e plantas diferentes em sua plenitude nos jardins, mas o seu apogeu se dá em maio, no auge da primavera. Pegamos nossas milhas – outra imensa vantagem de se viajar fora da temporada – e lá fomos nós!

O artista impressionista é meu pintor favorito desde que pude ver uma exposição sua no Masp em São Paulo há milênios, e era realmente um sonho conhecer os seus jardins. Em 2015, tive o privilégio de conhecer o Musée de l’Orangerie em Paris (http://tripchic.com.br/impressionismo-uma-chacota), onde estão aquelas telas imeeeeeeeensas das Nympheas que praticamente te abraçam. Agora pude ir visitar os jardins, e só me levaram a uma dúvida maior: os quadros saíram do jardim ou os jardins saíram dos quadros? Monet era bom pintor ou melhor jardineiro? (rsrsrs)

Giverny é uma cidadezinha na Normandia super próxima a Paris (75 km), de onde se pode ir com extrema tranquilidade e rapidez. É lá que se encontram a casa, onde Monet morou durante 43 anos, entre 1883 e 1936, que também pode ser visitada, além de seus famosos jardins. É super cheio, por isso recomenda-se ir cedo para que vc possa atravessar o túnel e fazer o circuito das ninfeias, ou posar pra foto na ponte japonesa tão frequente em suas obras, antes de ficarem abarrotados. Vc vai poder admirar os chorões, as canoas, as pontes e as flores de lótus do lago que povoam os seus quadros, além do jardim das flores, o Clos Normand. O difícil é escolher o quê fotografar, tudo é lindo, conjunto e detalhes; se sua máquina – ou celular – cair e disparar, vão sair lindas fotos. Depois vá à casa, que é uma graça, tudo é fofinho, com excessão do atelier que é grandioso, pé direito alto, imensas janelas por onde entram a luz e as flores, e nas paredes suas obras. É um passeio de sonhos…

Este ano, os jardins estão fechados devido à pandemia… O espetáculos das cerejeiras do Japão também não puderam ser apreciados… Parafraseando Neruda, o vírus pode impedir o homem de contemplar as flores, mas não pode impedir a primavera de aparecer…