27 de Fevereiro de 2015

“O que faz vc feliz?!”

Quando pensamos em Picasso, logo vislumbramos aquelas caras meio tortas, com olhos, orelhas e nariz fora do lugar! Lembramos até do cabeça de batata do “Toy Story” com suas partes trocadas (bigode, óculos e outras partes da anatomia desencontradas….) Minha sobrinha, quando era pequenininha, e ganhou um cabeça de batata, ficou nervosíssima quando fizemos essas trocas picasseanas. Isso até ela conhecer a obra do artista e ficar encantada por Jacqueline!

Visitar o Musée Picasso em Paris é transportar-se para um outro universo, de dimensões muito superiores às nossas vidas provincianas, e sentir-se apenas uma parte, muito, muito pequena mesmo, de tudo isso. Inaugurado em 1986 no Hôtel de Salé (salgado), uma mansão erguida em 1656 para Aubert de Fontenay – coletor de impostos sobre o sal – ficou 5 anos fechado para uma polêmica e custosa reforma  que consumiu 52 milhões de euros. Reabriu em 25 de outubro de 2014 (aniversário de Picasso), com 5 andares e mais de 5.000 pinturas, esculturas, gravuras e arquivos pessoais.

Le Sacré-Coeur, 1909

Le Sacré-Coeur, 1909

A maior parte de sua obra se associa ao Cubismo. O tema passa a não interessar mais, mas o objeto, que é fragmentado, recortado em pedaços. Traz não só a geometrização da figura, mas também discute a utilização da superfície, dando ao fundo e à figura basicamente o mesmo tratamento, numa quase monocromia, com a utilização de poucas cores. No entanto, a maior inovação de Picasso se dará com a primeira colagem da história da arte, eliminando a habilidade técnica, o ato manual que é a própria pintura, e introduzindo a maior discussão sobre o que é arte.

Ficar cara a cara com essas obras e essa história é dar um novo sentido à existência da humanidade, quem sabe da sua própria. Reserve com antecedência o dia da sua visita e passe incólume pela fila de 3 horas (tudo bem que brasileiro adora fila de exposição, mas não precisa, tá). Baixe o audioguia no cel e deleite-se.