6 de fevereiro de 2015

O velho e o bar

Em Paris, o difícil é escolher, dentre tantas opções gastronômicas, as que vão ser contempladas nesta viagem e as que ficarão para a próxima.

Brasserie Lipp

O Le Procope, de 1686, é considerado o mais antigo do mundo em funcionamento. Louco imaginar que naqueles salões, personalidades como Molière (1662-1673), Voltaire (1694-1778) e Diderot (1713-1784) discorreram sobre ideias que mudaram o mundo. Hoje, não se percebem assuntos de tão alto teor nas mesas, até porque uma língua diferente é falada em cada uma delas, mas dá para ler nas suas paredes frases que se tornaram célebres, como “Qu’est que c’est la toleránce? C’est l’apanage de l’humanité”  de Voltaire.

Le Procope

No boulevard Saint-Germain-des-Prés, a dúvida está em qual ir primeiro. No Le Deux Magots, no seu vizinho Café de Flore, ou ainda na Brasserie Lipp que fica logo em frente. Entrar em qualquer um deles é como viajar no tempo e voltar aos anos 30, como Gil Pender em Meia-noite em Paris.

A Brasserie Lipp, fundada por um refugiado da Alsácia, em 1880, tem cerâmicas coloridas e serve comida autêntica. Prove chucrute, tome cerveja e encerre com um excelente café. É proibido usar celular! Seria mesmo uma heresia falar ao telefone ao invés de imaginar o que diziam os prêmios Nobel de Literatura, Hemingway (1954) e Camus (1957), entre um gole e outro.

Le Deux magots

Como os cafés não tem intervalo entre almoço e jantar, dá para ir sem estresse na entressafra. Almoce tarde ou jante cedo para não ficar mais tempo na fila do que no interior.

No Le Deux Magots, ninguém dá muita importância à presença das esculturas em madeira no alto que observam tudo desde a abertura em 1884. Quantas conversas não devem ter ouvido do casal de filósofos existencialistas Simone de Beauvoir e Sartre (que se recusou a receber o Nobel em 1964)? O atendimento é simpático e a qualquer hora você pode comer um prato de fromages e tomar um copo de vinho.

Sobraram muitos ainda para a próxima vez, afinal Paris é uma festa !