11 de Fevereiro de 2015

Ódio às trufas!

Não, vc não leu errado, não é outra ode. Não, também não são as de chocolate – que eu adoro! Sim, são os fungos. Sim, é aquela iguaria caríssima que eu odeio!

image

Primeiro, algumas considerações básicas: as trufas são de dois tipos, brancas e negras, e dão naturalmente na base de alguns tipos de árvores – castanheiras, em especial – numa relação simbiótica. A caça (isso mesmo, vc leu certo, é caça) é feita por cães. Tem aquela história dos porcos, mas não é bem assim… Na verdade, os porcos encontram as trufas porque alimentam-se delas, naturalmente. Eles COMEM as trufas. Então, imagine-se brigando com um porco (tipo de uns 100 kg) que quer comer a trufa, enquanto vc quer retirá-la da terra sem danificá-la…Na verdade, elas são “apontadas” por cães treinados para isso, que não tem o menor interesse nelas. É, eles são bem mais espertos do que os porcos…

As brancas são mais comuns (se pudermos utilizar este termo) na Itália, na região de Alba, e chegam a custar até 15 mil dólares o quilo. A trufa branca mais cara, de 1,5 kg, foi vendida por 330 mil dólares! As negras, menos raras, são mais encontradas na região de Périgord, na França, entre novembro e março, e custam em torno de 1.000 euros o kg. Sim, meu marido comprou uma num mercado em Paris!

Meu primeiro contato com a dita iguaria ocorreu há alguns anos, num restaurante italiano em São Paulo, com um espaguete trufado. Talvez este tenha sido meu erro capital. Sabe-se (eu não sabia) que a trufa, da coleta ao consumo, não dura mais do que 10 dias, pois não há uma forma de conservá-la sem a perda de suas características. Daí, conclui-se que o azeite trufado nada mais é do que um óleo aromatizado, ou seja, acrescido de uma substância sintetizada em laboratório (2,4 ditiapentano) que contém átomos de enxofre (!!!) Por isso, aquele gosto de ranço!

Tive que fazer uma outra incursão, né? Dessa vez, a trufa in natura, em outro italiano em São Paulo, foi trazida à mesa, pesada, dela tiradas fatias da espessura de uma folha de papel, com um cortador específico de lâminas ultrafinas (sim, meu marido comprou um na Maison de la Truffe) em cima do meu ovo frito, pesada novamente, e anotado o consumo que foi cobrado. Estragaram meu ovo frito! De novo aquele gosto podre!

Maison de la truffe

Para não dizerem que desisto fácil, ainda cheia de coragem, fiz a terceira tentativa. Dessa vez em um 3 estrelas Michelin em Londres. Argh!

Chega, odeio! Deixem para os porcos, prefiro as pérolas! Ou será que estou me comportando como eles? Ou eles, como eu deveria me comportar? Sei lá, tanto faz, só sei que não quero mais estes fungos. Bah!

Nota de esclarecimento: trufas de chocolate são asssim chamadas por assemelharem-se, na forma, às trufas negras, que vêm cobertas por terra, assim como as de chocolate vêm de cacau em pó.

A trufa? Ah, sim, foi servida num jantar agradabilíssimo com o pessoal da agência do meu marido (bjs, pessoal!). O gosto? Nem sei…