20 de agosto de 2015

Poltergeist chileno

No Reveillon de 2014, quando decidimos seguir as pegadas de Neruda no Chile, não imaginamos que teríamos uma experiência super maluca! (?) A programação era irmos de São Paulo a Santiago de avião, alugarmos um carro, seguirmos até Valparaíso, no litoral do Pacífico, onde ficaríamos por uma semana, visitando também Viña del Mar e Isla Negra. Voltando a Santiago, passaríamos a virada do ano próxima ao Palácio de La Moneda, assistindo à queima de fogos! Assim, faríamos o circuito completo das casas de Pablo! Muy hermoso!

Reveillon Chile

Valparaíso é uma cidade em declive, mais ou menos como o Rio de Janeiro. Só que, para subir os inúmeros cerros (morros), há elevadores – alguns bem antigos – que permitem um ir e vir bem tranquilo, sem a famigerada separação de classes que encontramos na cidade maravilhosa. Todos estão mais misturados. Encontramos bons hotéis na parte alta e na baixa, assim como restaurantes e residências de todos os níveis. Chegar a Valparaíso de carro, partindo de Santiago, é moleza. São pouco mais de 100 km, em uma estrada larga e bem pavimentada. Assim como a nossa ida ao litoral paulista, sussa! É, lá também pode ficar bem congestionado… por isso escolhemos passar a virada em Santiago e não na praia, que, além de cheia, cobrava preços estratosféricos. Nos hospedamos no Ibis de Valparaíso, que está na parte baixa da cidade, e, bem localizado, permiti ir a vários lugares a pé. Apesar de estarmos de carro, preferimos – sempre que possível – gastar sola de sapato – e nos sentirmos mais próximos da terra.

ascensor

Só não sabíamos que a terra poderia se mover bem debaixo de nós! É, isso mesmo! Terremoto! Foi na primeira noite em Valparaíso. Tínhamos saído muito cedo de São Paulo. Sabe, aquela coisa… táxi para o aeroporto de Guarulhos – que é longe pra burro – chegar com 2 horas de antecedência para pegar o voo (mesmo tendo feito check-in antecipado), aterrissar em Santiago, pegar as malas, procurar a agência de aluguel de carros, encontrar o carro (depois de algumas idas e vindas no/do guichê da locadora), abastecer, não achar o caminho, achar o caminho, chegar à cidade, passar pela cidade direto, não encontrar o hotel, encontrar o hotel, ufa! Saímos para “almojantar” num restaurante panorâmico de Valparaíso e, depois de alguns piscos (que eu amo!), ir dormir (morta de cansaço!) ainda à luz do dia porque escurece tarde. (Ainda bem que existem os psicotrópicos!) E, foi aí, que sentimos a cama se mexer! É, bem rápido! Para a frente e para trás (vuf! vuf!). Olhei para um lado, e não só vi o meu cônjuge parado (então, não era ele que estava chacoalhando a cama?) como atônito e perguntando o que estava acontecendo! Olhei para o outro lado e vi que todas as coisas continuavam no mesmo lugar, a cadeira não tinha sequer sido arrastada, nem as coisas sobre a mesa caíram… Meu marido olhou pela janela e tudo parecia normal. Olhei pra ele, com a cognição um pouco prejudicada pelo efeito dos fármacos, e disse “Dorme, é poltergeist”!

No dia seguinte, ouvimos que isso era absolutamente normal, acontece todo dia. Não me lembro muito bem agora, mas era tipo 4/5 na escala Richter. Ei, 5 na escala Richter é cotidiano?! Procuramos na internet, a bíblia de todas as bíblias, e vimos os dados do abalo, cujo epicentro era muito próximo de onde estávamos! Putz! Acho que lido melhor com fenômenos paranormais do que com abalos sísmicos! Fiquei realmente cismada (desculpe, não resisti…) Ah, aliás nada se mexeu porque as construções na cidade (acho que em todo Chile) utilizam uma espécie de sistema de molas que amortecem os abalos, então elas só balançam de um lado para o outro. Não foi só a cama que sacolejou, foi o hotel inteeeeeeiro!

 escala Richter