16 de janeiro de 2020

Reveillon em El Calafate, a cidade dos cães

O sonho de conhecer a Patagônia já era antigo, mas, por vários motivos, vinha sendo adiado ano após ano, até que finalmente chegou a vez. Mas não, não era a primeira opção; inicialmente tínhamos pensando na Amazônia que, após os incêndios, foi descartada por medo de não vê-la em toda a sua exuberância ou até como uma retaliação (a quem Pedro Bó? a mim mesma, talvez); a segunda era o nordeste, com especial atenção às Salinas de Maragoggi, mas após o derramamento de óleo… Ok, Patagônia eleita, fomos escolher um pacote, pois não havia tempo hábil para um planejamento solo. Pela grana e pelo tempo foi eleita a Patagônia argentina: Perito Moreno e os pinguins na cidade do fim do mundo eram os focos principais. Começamos por El Calafate, onde fica o Glaciar Perito Moreno, o mais exuberante da região, mas que perde em tamanho para o Upsalla e ainda para o Spegazzini, o maior – no momento.

Pra chegar a El Calafate, pega-se um voo em Buenos Aires e, pá, rapidinho está lá. A cidade é uma gracinha, parecida com as estâncias serranas daqui, toda de madeirinha, com lojinhas de artesanato, lanchonetes, restaurantes e os demais serviços necessários. E cachorros. Isso mesmo. Muitos cachorros. Fofinhos, lindinhos, amistosos, gordinhos, de coleirinha, são os donos da cidade.

No primeiro dia, fomos conhecer o dito Perito. Fizemos pela manhã uma excursão de ônibus até o Parque onde o glaciar se encontra. É uma viagem um pouquinho longa do centro da cidade, mas com um visual muito bonito – também tivemos a sorte de estar um dia incrível, com muito sol e uma temperatura agradabilíssima. A guia foi dando algumas informações, mas sem a menor simpatia: falava ao microfone, sentada de costas para o grupo e com interação zero.  Na curva antes de avistarmos pela primeira vez o Perito Moreno, ela fez uma contagem regressiva que culminou com “óóós” que deveriam ser seguidos pelo grupo. Bom, eu não fiz coro, até porque fiquei um pouco decepcionada mesmo, imaginei uma coisa enorme, descomunal que me engoliria, e não, não é assim. Chegamos até ele, e, por passarelas que foram instaladas na sua frente, podem ser feitos vários caminhos (de 30 a 90 minutos) para observá-lo, apreciar os blocos que se desprendem dele e fazem um barulhão, fazer piquenique, tirar fotos, etc.  (Aliás, falando sobre as passarelas, ouvi dizer que essas de metal são vistas pelos animais como uma barreira que eles não transpõem, causando sérios problemas para o deslocamento deles.) À tarde, fizemos um passeio de catamarã que se aproxima por outro lado do glaciar. Foi muito mais impressionante do que pelas passarelas, já que vc o vê debaixo, o que confere a ele um suntuosidade muito maior.

Perito Moreno

No segundo dia, que era 31/12, o último dia do ano, fizemos outro passeio de catamarã. Desta vez para ver o Glaciar Upsala, que já foi considerado o maior glaciar da região, mas hoje não é mais. Dele não se pode aproximar muito, já que está perdendo muito blocos de gelo – enormes – que ficam boiando por ali. Esses blocos são impressionantes de se ver, de um branco e de um azul muito intensos – muito bonito mesmo. O outro Glaciar que vimos nesta excursão foi o Spegazzini, o maior no momento. O Perito Moreno se mantém estável em tamanho, o Upsala diminuindo e o Spegazzini aumentando.

Spegazzini

 

À noite, na véspera de Ano Novo, e nossa última noite na cidade, queríamos fazer algo diferente para comemorar a chegada do Ano Novo. Colhemos algumas informações e obtivemos algumas sugestões: a) o hotel nos recomendou jantar num restaurante -havia uma lista – com menu fechado, cobrado em dólar, num valor exorbitante – achamos o maior pega turista; b) os locais nos disseram pra não fazer nada, pois só alguns bares na cidade ficavam abertos – além de caríssimos, eram lotadérrimos. Mas como havia muitos jovens na cidade, trilheiros, cervejarias e pubs, num clima bem animado; achamos que a galera se reuniria na rua, tomando cerveja e esperando o Ano Novo chegar. Nada. às 19h tudo fechou. Compramos um espumante, alguns queijinhos e ficamos assistindo à chegada do Ano Novo pelo mundo na CNN no maior silêncio…  E assim chegou 2020!!!!

P.S.: a cidade é dos cães, eles é que não queriam balbúrdia nenhuma rsrsrs