7 de janeiro de 2020

Reveillon em Kyoto

Se vc pensa que Kyoto é uma cidade pequenina, com cara antiguinha, repleta de templos e gueixas circulando entre eles, esqueça. Kyoto é uma cidade grande e moderna, com apenas uma rua (Pontocho) no Bairro de Gion que conserva a aura tradicional da cidade (exceto pela horda de turistas a posarem para fotos). Com muitos templos sim – são mais de 1.600! – mas gueixas, vc só verá cosplay, posando na frente de templos para fotos, que não deixam de ser lindas em seus kimonos.

Mas, provavelmente, o melhor dessa antiga capital do Japão seja mesmo conhecer os seus templos icônicos, com sua beleza e majestade que faz nos sentirmos verdadeiras formiguinhas frente a tanta opulência. Como toda boa cinéfila, depois de assistir pelo menos duas vezes ao belíssimo “Memórias de uma Gueixa”, precisava ir a dois lugares retratados de forma muito delicada: Arashiyama Bamboo Forest e Fushimi Inari. O primeiro, apesar de encantador, pode ser um pouco decepcionante porque, além de lotado de turistas, é um percurso bem pequenino que impede que adentremos numa atmosfera diferente daquela de viajantes vorazes pela melhor imagem para o insta. Mas não se desespere, ao final dos bambus, vc pode fazer uma agradável – e vazia – caminhada, margeando o rio até o Arashiyama Monkey Park Iwatayama, onde macaquinhos soltos comem na sua mão (não vou comentar sobre o local, tenho minhas reservas). O segundo lugar é lindo e mágico! Se vc assistiu ao filme, é aquele com uma sequência de toriis – portais shintoístas – vermelhos. Sim, ele é lotado, mas como é um percurso bem longo, com subidas e descidas, as pessoas vão desistindo pelo caminho, e vc consegue sentir a paz do lugar.

Depois disso, claro, os templos mais famosos: Kinkaku-ji, também conhecido como “Pavilhão Dourado”, têm os dois andares superiores cobertos com folhas de ouro. É realmente de cair o queixo! Sua imagem refletido no lago que o cerca é uma das fotos mais belas gravadas na minha cabeça; depois vem o Ginkaku-ji, que, apesar de não ser revestido de prata, é conhecido como “Pavilhão Prateado”. Mas o ponto alto realmente é seu enorme jardim, de uma beleza única, vale muito a pena percorrê-lo. Este templo dá início – ou fim – ao “Caminho do Filósofo”, um circuito às margens de um rio, repleto de templos, lojinhas e restaurantes, muito, muito agradável mesmo; ao final do percurso, chegamos ao Nanzen-ji, outro templo, onde pudemos subir ao topo de madeira por uma escadinha bem estranha, impagável!

Para o Ano Novo, comemorado de acordo com o calendário ocidental e não chinês, ou seja, 1 de janeiro, os japoneses vão aos templos que, segundo nos informaram, ficam abertos a noite toda. Escolhemos o famoso Chion-in, que tem as 108 badaladas de seu enorme sino, que servem para expiar os pecados do ano anterior, transmitidas ao vivo pela TV. Tinha uma fila infinita e achei por bem ir a outro templo bem próximo que nos haviam indicado, o Yasaka, que era avistado de longe com uma lindíssima iluminação, mas estava tão cheio, mas tão cheio, que não pudemos nem entrar na fila, então voltamos ao Chion-in, que não, não ficava aberto a noite toda, já havia fechado…e, assim, chegou o Ano Novo, numa pequena multidão em frente ao iluminado – e maravilhoso – Chion-in!

Feliz Ano Novo!!!!