18 de Março de 2015

“The sound of the crust”

Quando se vai a Paris, tem-se a sensação de se ter mais de cinco sentidos. Não estou falando do sexto, não. É alguma coisa entre o olfato e o paladar, mas que mistura ainda um pouco de audição e visão. E por que não de tato? É mais ou menos como o surgimento do quinto sabor: depois de séculos dividindo os gostos básicos em doce, salgado, azedo e amargo, descobriram, no início do século (passado, né?), o umami. É como se de repente surgisse um novo sentido, mais do que um, menos que todos, intermediário, diferente, mas indispensável.

E essa impressão é ainda mais nítida quando se observa (ou melhor, se prova) o principal item da mesa francesa: o pão! Mais ainda: a baguete! Entende-se até o estopim da Revolução Francesa (como Maria Antonieta pôde desdenhar desta instituição?)! No filme “Ratatouille”, a sous chef ensina ao aprendiz de cozinheiro que não se deve notar apenas o cheiro e o gosto do pão, mas também o som…

Sound of the crust

Em cada esquina de Paris, encontra-se uma boulangerie. E não é modo de dizer, não. Da porta do hotel onde estávamos hospedados, viam-se (sim, só de olhar, parados) 3 (três) boulangeries!!! E com fila! É, isso mesmo, tem fila para comprar baguete (ou uma demi baguete, se preferir, cuja outra metade será levada pelo próximo da fila). Não sei se tem fila a qualquer hora, porque também não montei campana na esquina, mas tem em vários horários diferentes, ah isso tem. E no dia do Ano Novo, boulangerie fechada… Que nada! 5 horas da manhã, o cheirinho das baguetes já invadia o quarteirão inteiro.

Boulangerie

E ela está lá, no café da manhã, com manteiga (e que manteiga…), no almoço ou no jantar, para acompanhar os pratos de queijos (e que queijos…). Duro é voltar a São Paulo e ir à padoca comprar pão francês (quem deu este nome?)… Vá lá, ele é até bom quando está fresquinho, ou na chapa com margarina (nem é manteiga…) mas a baguete..hhhhhuuuuummmmm!!!